segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Uma loucura lúcida.






Nada menos que o todo 


Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.




                                   (Miguel Torga)




Esse poema reflete exatamente o que eu espero, quero, desejo e vou conseguir para esse ano. Um recomeço, sem angústia e sem pressa, com dificuldades sim, pois nada vem fácil e tranquilo, mas que seja contínuo e lúcido, que tenha muito de mim,...onde eu possa me reconhecer sem perder a ternura.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Dando um tempo...




Preciso, para



Preciso que um barco atravesse o mar

lá longe
para sair dessa cadeira
para esquecer esse computador
e ter olhos de sal
boca de peixe
e o vento frio batendo nas escamas.
Preciso que uma proa atravesse a carne
cá dentro
para andar sobre as águas
deitar nas ilhas e
olhar de longe esse prédio
essa sala
essa mulher sentada diante do computador
que bebe a branca luz eletrônica
e pensa no mar.

Marina Colasanti


Definitivo e ponto????...


Sonho de Poeta


quem dera fosse meu
o poema de amor
definitivo.
se amar fosse o bastante,
poder eu poderia,
pudera,
às vezes, parece ser
esse, meu único destino
mas vem o vento e leva
as palavras que digo,
minha canção de amigo.
um sonho de poeta,
não vale o instante
vivo.
pode que muita gente
veja no que escrevo
tudo que sente
e vibre
e chore
e ria,
como eu, antigamente,
quando não sabia
que não há um verso,
amor,
que te contente.


Alice Ruiz


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Perfeita Precisão...


Precisão





O que me tranqüiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,a perfeição.



Que bom que entre a técnica milimétrica e a exatidão soberana sobra-nos tempo para sonhar e devanear á respeito das coisas... e personalizá-las a nosso bel-prazer... Perfeição???? Arte-Pura- ilusão de óptica...apenas uma das formas de se ver o mundo...!!!
 Salve a precisão Perfeita de Clarice ...!!!


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

À mercê da vida...


Compensação


(…)
Esta ignorância humana.
Este silêncio do universo.
A sabedoria.
Hoje eu queria estar entre as nuvens, na velocidade das nuvens, na sua fragilidade, na sua docilidade de ser e deixar de ser.
Livremente.
Sem interesse próprio.
Confiante.
À mercê da vida.
Sem nenhum sonho de durarem até o ano 2000, de terem emprego público, férias, abono de Natal, montepio, prêmio de loteria, discurso à beira do túmulo, nome em placa de rua, busto no jardim…
(Ó nuvens prodigiosas, criaturas efêmeras que estais tão alto e não pretendeis nada, e sois capazes de obscurecer o sol e de fazer frutificar a terra, e não tendes vaidade nenhuma nem apego a esses ocasos!)
Hoje eu queria andar lá em cima nas nuvens, com as nuvens, pelas nuvens, para as nuvens…



terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Dever de sonhar sempre...

 "Eu tenho uma espécie de dever, de dever sonhar sempre. Pois,sendo mais do que uma expectadora de mim mesma, Eu tenho que ser o melhor espetáculo que posso. E assim me construo a ouro e sedas, em salas supostas, invento palco, cenário para viver meu sonho entre luzes brandas e músicas invisíveis.
                                                                                                    " Desassossego - 



Deliciosamente Ilógicos...


'' Se você deseja ser excessivamente racional, desista.
Em algum momento entrará em contradição.
Se almeja ser extremamente cartesiano, matemático, desista.
Em algum momento sua emoção o trairá.
E, se conseguir ser racional e estritamente lógico, a vida perderá o sabor, o tempero. Estará apto para ser um alienígena, e não um ser humano.
Somos deliciosamente ilógicos.
Nossos gostos, expectativas, sensibilidades, preferências, disposições mudam com o tempo. Sofremos menores ou maiores transformações a cada momento existencial.'' 
(Augusto Cury)


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