sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Remando contra a maré...
Remar.
Re-amar.
Amar.
Sem pedir nada em troca...mas se quiser oferecer???
Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo? Vim pra casa humilde. Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim. E fez. Quando gemeu "dói tanto", contei da moça (...) chorando, bebendo e fumando (como num bolero). E quando ele perguntou "porquê?", compreendi ainda mais. Falei: "Porque é daí que nascem as canções". E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não-ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?
(in: Pequenas Epifanias)
Meu inferno astral?
(Gabriel Garcia Marquez)
sábado, 3 de setembro de 2011
Do fim mais extremo do muro...
Que assim seja:
Os pássaros chegaram e as pedras
juntaram-se às pedras
Assim:
Eu acordo as estradas e as noites
e nós seguimos na procissão das árvores
Os pássaros chegaram e as pedras
juntaram-se às pedras
Assim:
Eu acordo as estradas e as noites
e nós seguimos na procissão das árvores
Os ramos são malas verdes e os sonhos
uma almofada
numa viagem de férias
onde a manhã continua estranha
onde o seu rosto
permanece como um selo sobre os meus mistérios
uma almofada
numa viagem de férias
onde a manhã continua estranha
onde o seu rosto
permanece como um selo sobre os meus mistérios
Estes espelhos...
Amigos
Amigos novos são bem-vindos, trazem frescor à nossa vida, mas há certos momentos em que precisamos de um espelho humano, alguém em quem possamos nos refletir e avalizar nossa origem e identidade.
Estes espelhos geralmente são nossos pais, irmãos e os "velhos amigos", mas pode ser também uma fruta que você colhia no pátio da casa da sua infância, pode ser um fusca que você não tem coragem de vender, pode ser um anel que foi da sua avó e que hoje está no dedo da sua filha. Pode ser qualquer coisa que te leve pra trás e te traga de volta, assegurando quem você é — e sempre foi". -
(Martha Medeiros)
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